Padre silvestre, o philippi das ideias claras
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2014
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Resumo
Em 1995, já se havia passado sobeja parcela do tempo sugerido pelos conselheiros do meio ambiente para se aprovar e sancionar a lei municipal sob cujo guiar implantar-se-ia, em Sobradinho – BA, uma
reserva ecológica e arqueológica em território de remanescentes indígenas da etnia Tamoquim. Naquela área há uma feição de relevo dissecada por milenar ação erosiva de um intermitente afluente do Rio São Francisco, em quartzíticas rochas metassedimentares da Chapada Diamantina (Formação Tombador). Em seus alcantis, belos e profusos painéis de registros rupestres resistiam à ação deletéria de naturais e antrópicos agentes de intemperismo. Dispusera-se já o executivo municipal a promover nela a realização de atividades de pesquisa acadêmica, em convênio com a Fundação Museu do Homem Americano e a Universidade Federal de Pernambuco. Um arquiteto fluminense que se especializava stricto sensu na área de Pré-história havia já iniciado as atividades relativas ao levantar, cadastrar e ordenar o universo artefatual arqueológico do Submédio São Francisco, quando se acometeu de incurável e fatal enfermidade. Sem o imprescindível sopro vital que, pelos alvéolos pulmonares oxigenaria o cérebro do gabaritado arquiteto pré-historiador, sustou-se a pesquisa até que se encontrasse alguém com qualificação acadêmica símil. Não muito demorou a que a Coordenadora do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de Pernambuco e a Diretora Presidente da Fundação Museu do Homem Americano descobrissem que eu havia estudado no Seminário Nossa Senhora de Fátima e na Fundação Educacional do Sul de Santa Catarina. Farejaram as profissionais da ciência que, no ateneu religioso secular de Tubarão, ensinava-se e aprendia-se Francês, Inglês, Latim e Grego, requisitos imprescindíveis à compreensão de textos e artefatos relativos ao que fosse arkaios. Depararam-se também com informes de que, no espaço universitário que era referência cultural no Sul do Brasil, estudava-se Filosofia Pura, basilar para o reconhecimento de cristalinos atributos (fenomenologia) ligados à castiça arké (ontologia) de grupos culturais históricos e pré-históricos. Pouco tempo passou-se a que concluíssem sugerir-me desligamento das lides político-partidárias, técnico-administrativas e didático-pedagógicas da Prefeitura Municipal de Sobradinho e da Secretaria Estadual de Educação da Bahia para me dedicar à pesquisa arqueológica, histórica e pré- histórica, com o fito de preencher a lacuna que restara da morte prematura do pesquisador fluminense. Propuseram-me as divas dos estudos relativos ao patrimônio cultural pré-histórico da região Nordeste do Brasil que lhes entregasse, em diminuto tempo hábil, uma carta de apresentação do professor de quem eu reconhecesse ter recebido o melhor de minha formação, que fosse a excelência das referências que me creditassem ao ingresso no seleto meio científico. Sequer um minuto titubeei, pestanejei ou tartamudeei. Apresentei-lhes um belo documento em cuja base fixava-se a chave que de graça me fora concedida para chegar ao décimo andar do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Pernambuco onde se me abriram amplas portas de acesso ao mestrado em História e doutorado em Arqueologia. A bendita taramela acadêmica materializava-se em uma assinatura que, gratuita e prazenteiramente concedera-me Padre Silvestre, o Philippi das ideias claras. Seu entendimento sobre a vida e tudo que com ela se relacionava, como gambiarras a resolverem provisoriamente reveses mecânicos de carros com avaria crônica, havia-me ajudado a superar parcialmente problemas duradouros que na bagagem emocional eu portava quando ingressei no seminário menor de Tubarão.
Abstract
Palavras-chave
Citação
KESTERING, Celito. Padre Silvestre, o Philippi das Ideias Claras, p. 205-224. In: HERDT, Sebastião Salésio; FONTANA, Fiorindo; MÜLLER, Lourenço; PATRÍCIO, José de Souza. (Orgs.). Silvestre Philippi: pastor da harmonia. (ISBN: 978-85-8019-225-4). Palhoça - SC: Gráfica Coan, 2019.
