Fatores determinantes da mobilização precoce em pacientes neurocríticos adultos em unidade de terapia intensiva: estudo retrospectivo observacional
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Data
2026-08-03
Autores
Orientador
Maia, Thais Lopes Ferreira Diniz
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Editor
Universidade Federal do Vale do São Francisco
Campus
Campus Petrolina
Resumo
A mobilização precoce reduz complicações relacionadas à imobilidade em unidades de terapia intensiva (UTI), porém sua implementação em pacientes neurocríticos permanece inconsistente e pouco caracterizada em cenários do mundo real. Este estudo identifica barreiras à mobilização precoce em pacientes neurocríticos adultos internados em UTI e avalia a conformidade das justificativas registradas para a não mobilização com o protocolo institucional. Trata-se de um estudo observacional retrospectivo, unicêntrico, que inclui pacientes neurocríticos adultos internados em uma UTI. Como desfechos, analisam-se o status diário de mobilização, as razões para não mobilização categorizadas em barreiras clínicas, organizacionais e estruturais e a conformidade das justificativas clínicas com o Procedimento Operacional Padrão (POP) institucional. Entre 163 pacientes, correspondentes a 1.798 dias-paciente, 64,7% dos dias de UTI transcorreram sem mobilização. Predominam as barreiras clínicas (82,6%), especialmente critérios clínicos gerais e hemodinâmicos, enquanto barreiras organizacionais e estruturais correspondem a 16,6% e 0,6%, respectivamente. Das 1.164 justificativas para a não mobilização, 66,4% mostram-se conformes ao POP, proporção significativamente superior ao acaso (teste binomial exato, p < 0,001; IC95% 63,6%–69,1%). Observa-se, ainda, uma proporção relevante de justificativas não previstas no protocolo, indicando possíveis lacunas entre as diretrizes formais e a prática à beira-leito. Conclui-se que a mobilização precoce em pacientes neurocríticos na UTI é limitada predominantemente por restrições clínicas, refletindo a complexidade dessa população; contudo, fatores organizacionais e lacunas protocolares também contribuem para esse cenário. A revisão periódica dos protocolos e a educação interprofissional contínua podem favorecer maior alinhamento entre diretrizes e prática, promovendo uma implementação mais segura e consistente da mobilização precoce.
Abstract
Early mobilization reduces complications related to immobility in intensive care units (ICUs); however, its implementation in neurocritical patients remains inconsistent and poorly characterized in real-world settings. This study identifies barriers to early mobilization in adult neurocritical patients admitted to the ICU and evaluates the compliance of documented justifications for non-mobilization with the institutional protocol. This is a retrospective, single-center observational study including adult neurocritical patients admitted to an ICU. The analyzed outcomes include daily mobilization status, reasons for non-mobilization categorized as clinical, organizational, and structural barriers, and the compliance of clinical justifications with the institutional Standard Operating Procedure (SOP). Among 163 patients, corresponding to 1,798 patient-days, 64.7% of ICU days occurred without mobilization. Clinical barriers predominated (82.6%), particularly general clinical and hemodynamic criteria, whereas organizational and structural barriers accounted for 16.6% and 0.6%, respectively. Of the 1,164 justifications for non-mobilization, 66.4% were compliant with the SOP, a proportion significantly higher than expected by chance (exact binomial test, p < 0.001; 95% CI, 63.6%–69.1%). A relevant proportion of justifications was not included in the protocol, indicating possible gaps between formal guidelines and bedside practice. Early mobilization in neurocritical ICU patients is predominantly limited by clinical restrictions, reflecting the complexity of this population; however, organizational factors and protocol gaps also contribute to this scenario. Periodic protocol review and continuous interprofessional education may improve alignment between guidelines and practice, promoting safer and more consistent implementation of early mobilization.
